Quem foi DEMITIDO deve fazer textão de agradecimento no LinkedIn? Eu jamais faria.
A empresa já cortou seu acesso ao e-mail, removeu você dos grupos e provavelmente já abriu a vaga. E você vai escrever que foram anos inesquecíveis e que encerra esse ciclo com o coração cheio de gratidão?
Demissão dói. Às vezes, dói muito. Mas, do ponto de vista da carreira, é também uma transação. Você entregava competência e resultados em troca de remuneração e oportunidades. Pode ter construído amizades e encontrado propósito, mas a relação de emprego continuava sendo um contrato, não um casamento. Não precisamos gourmetizar o divórcio.
Outro ponto que me incomoda é a tentativa de demonstrar naturalidade, controle da situação e resiliência. Fazer parecer que não doeu. Mas acho que, quanto mais se tenta, pior fica. O esforço para demonstrar serenidade acaba denunciando justamente o contrário.
Nesse sentido, tenho desenvolvido um viés curioso: quanto mais alguém insiste publicamente que está feliz, realizado e em paz, mais desconfio de que esteja vivendo exatamente o oposto. Posso estar sendo injusto, mas o LinkedIn oferece bastante material para alimentar essa suspeita.
Isso não significa sair batendo portas. Já ajudei muita gente a construir um protocolo de despedida, mas ele acontece principalmente em conversas individuais. Procurar as pessoas importantes, agradecer a quem merece, preservar os vínculos e construir pontes para futuras indicações e oportunidades. Isso é gestão de relacionamentos, não distribuição pública de gratidão.
Muita gente só percebe na hora da demissão que nunca se preparou para essa possibilidade. Currículo desatualizado, nenhum contato com o mundo fora da empresa, isso sem falar nas finanças pessoais.
E aí entra outro ponto em que insisto com meus clientes: carreira precisa de estratégia antes da crise. Quando a demissão chega, você deveria ter alternativas, não apenas uma audiência.
Se quiser publicar sua saída, publique. Comunique sua disponibilidade e diga o que procura. Não precisa fingir que está ótimo. Quem está bem, geralmente não precisa divulgar que está bem.
Perder o emprego já é suficientemente desagradável. Não precisa piorar as coisas fazendo um teatro que não convence ninguém e, muito menos, ajuda a encontrar o próximo emprego.




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