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O pai deixou R$ 30 bilhões. O filho não é obrigado a deixar sua vida junto.

  • Gustavo Sette
  • há 2 dias
  • 2 min de leitura

Impressionante como alguns empresários têm o dom de criar um império bilionário, mas não usam parte desse talento para organizar as coisas para a próxima geração.

 

Esse caso é interessante. O fundador não fez testamento porque achava que testamento chama a morte, o que é curioso, porque não fazer testamento também chama. Deixou um patrimônio extremamente complexo, filhos ainda jovens, disputas familiares e um emaranhado jurídico que provavelmente vai consumir anos.

 

Consigo entender por que isso acontece. Enquanto o fundador está vivo, a desorganização funciona porque ele próprio é o sistema: sabe quem chamar, onde estão as informações e qual atalho usar. E, de certa forma, essa desorganização também o torna ainda mais importante, porque só ele conhece o caminho das pedras. Há também a questão da energia necessária que o fundador precisaria para arrumar a bagunça, que ele prefere usar em outras coisas. Posso discordar da escolha, mas consigo respeitá-la.

 

O que mais me interessa nessa história, porém, é o lugar do sucessor.


O pai criou um patrimônio bilionário, mas deixou junto problemas familiares, de gestão, governança e uma coleção de brigas judiciais. E a pergunta que eu faria, se estivesse trabalhando com esse sucessor, seria bastante incômoda: é realmente um bom negócio viver essa história?

 

Ele não é obrigado. Com uma herança dessa dimensão, qualquer adiantamento de 1% da herança bastaria para começar qualquer projeto, viver em praticamente qualquer lugar do mundo e construir uma vida própria. Ou ele pode ficar, dedicar boa parte da vida adulta a organizar o que recebeu e, no fim, morrer muito mais rico.

 

Não questiono a decisão de ficar. Questiono a ideia de que ficar seja um dever.

 

Talvez uma das funções mais importantes de quem trabalha com sucessores seja justamente esta: ajudá-los a perceber que herdar uma história não significa ser obrigado a vivê-la até o fim.


Eu não compro a ideia de "obrigação com o legado".



 
 
 

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