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Em meio a tantos parabéns, o que de fato você entregou em 2025?

  • Gustavo Sette
  • há 7 dias
  • 3 min de leitura

O ano foi cheio de palmas, figurinhas e celebrações públicas. Mas agora é janeiro, o mês que separa o storytelling do resultado.

 

Há algo de estranho acontecendo com o aplauso. Ele parece ter se tornado um fim em si mesmo. Basta uma rápida expedição por grupos e pelas redes profissionais para notar: o ambiente se transformou num teatro sem dramaturgia. O roteiro é vago, os personagens mal desenhados, mas os aplausos, esses não faltam.


É claro que existem palmas merecidas e relevantes. Fui aprovado ou concluí um MBA em Stanford. Fui promovido a diretor. Assumi uma área de vendas estagnada há dois anos e dobramos o faturamento. Há conquistas que merecem, sim, reconhecimento público — não só pelo feito em si, mas porque representam impacto real, esforço consistente e transformação concreta.


Mas ao lado disso, floresceu uma nova categoria de elogio: o elogio ao banal. Palmas para quem terminou um curso de fim de semana. Palmas para quem foi convidado para uma reunião de rotina em Londrina. Centenas de figurinhas de bolinhos para as centenas de aniversários dos grupos. E por aí vai.


E depois há o pior dos aplausos: o autoelogio. Aquele post cuidadosamente editado em que a própria pessoa se parabeniza, mas disfarça como “reflexão”. “Hoje completo 17 anos de jornada, muitos desafios, muitas conquistas…” — e o texto segue, como uma espécie de cartão de aniversário escrito para si mesmo, mas esperando presente dos outros.


Criamos uma liturgia do banal. E como toda boa liturgia, ela é ritualística, repetitiva e, sobretudo, confortável. Ninguém contesta, ninguém pergunta “e daí?”. Celebrar virou obrigação moral. Criticar, sinal de amargura. Questionar, indício de insensibilidade.


Mas então chega janeiro.


E janeiro, apesar de sua aura de recomeço, tem o péssimo hábito de nos lembrar do passado. É o mês onde a espuma se assenta. O ruído cede espaço ao cálculo. As empresas — ao menos as saudáveis — abrem a planilha e fazem a pergunta que importa: o que foi entregue? Não o que foi dito, não o que foi postado, mas o que de fato aconteceu. O que gerou receita, o que reduziu custo, o que manteve clientes, o que segurou talentos. O que moveu, mesmo que discretamente, a engrenagem real da companhia. É o momento em que os símbolos deixam de bastar.


E então começa o desconforto.


Porque 2025 foi um ano cheio de palmas — mas não necessariamente de entregas. E agora, diante do espelho do bônus ou da ausência dele, muita gente se dá conta de que passou o ano construindo narrativa, não resultado. E a narrativa, sozinha, não fecha o caixa.


Esse é o ponto onde se revelam dois tipos de profissional: aquele que sabia o que estava fazendo — e aquele que apenas parecia saber. O primeiro talvez nem tenha publicado tanto, mas negociou uma dívida impagável, abriu um novo canal de vendas, promoveu um líder que segurou o time inteiro. O segundo? Tem uma timeline impecável, mas ninguém sabe dizer exatamente o que ele fez entre fevereiro e novembro.


O profissional moderno não se perde tanto por falta de respostas, mas por medo de fazer as perguntas certas. E uma das perguntas mais incômodas hoje é essa: “Se tirassem meu nome da empresa, o que deixaria de acontecer ali?”


Se você não tem uma resposta clara, talvez o bônus seja o menor dos seus problemas.


Aliás, há um terceiro tipo de empresa — aquela que sequer faz avaliação de desempenho. Não mede, não compara, não distribui com base em mérito. Para essas, janeiro é apenas mais um mês. E seus colaboradores, apesar dos crachás elegantes, são apenas vendedores de hora. Nada contra quem escolheu esse caminho, mas convém entender o tipo de jogo que está jogando. E o que ele jamais vai entregar: crescimento real, autonomia, reconhecimento consistente.


No fim, entre tantos parabéns e figurinhas de bolinho, o que se espera de um líder é o que sempre se esperou: que ele provoque movimento, mudança positiva e sustentável. Que ele não seja apenas alguém “gostável”, mas alguém necessário. Que ele transforme o que existe. Não porque falou bonito — mas porque entregou.


Se isso te parece duro, talvez seja apenas o desconforto de quem ainda confunde reconhecimento com curtidas.


Ou talvez seja só janeiro te chamando de volta à realidade.


Se o desconforto de janeiro te fez repensar os aplausos vazios e a distância entre o que se celebra e o que se entrega — em você, no seu time ou na sua empresa —, é exatamente aí que entra meu trabalho. Ajudar executivos, líderes e sucessores a romperem com narrativas estéticas e construírem performance real: medida, exposta, transparente. Porque na minha ética, resultado visível é a forma mais justa de reconhecimento, e também a mais incontestável. Se você também cansou da liturgia do banal, me chame.



 
 
 

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