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Dois anos. Esse é o tempo médio de permanência no trabalho. 

  • Gustavo Sette
  • 28 de out. de 2025
  • 2 min de leitura

Era oito, duas décadas atrás. Oito. Agora é dois.


Mas claro, é porque as novas gerações são ágeis, líquidas, adaptáveis, inquietas. E porque o mercado exige mobilidade, flexibilidade, protagonismo. Será? 


Vamos à parte que ninguém fala: dois anos não dá tempo de fazer quase nada em termos do que realmente importa: ganhar confiança e demonstrar entregas. 


Ficar pouco tempo virou argumento de orgulho. “Sou movido a desafios.” Tá bom. Só falta conseguir ficar tempo suficiente pra resolver um. 


Quem quer crescer precisa pegar algo no nível X e levar até Y. Com resultado demonstrável. Existem outras formas de crescer, inclusive a sorte e o acaso, mas são difíceis de sustentar no longo prazo.


Se você sai pulando de empresa como quem troca de mesa no coworking, o mercado entende. Entende, inclusive, que você vai sair. E já te contrata pra missão rápida, ingrata, sem continuidade — porque sabe que você é o profissional “de dois anos”.


Claro que tem exceções. Tem empresa que engana, chefe surtado, cultura tóxica, um movimento errado, uma proposta astronômica. Nesse caso, saia mesmo, e rápido. Mas não transforme fuga em método.


Um bom momento para usar mentoria é quando chega uma proposta. Porque é justamente aí que você está mais enviesado, mais empolgado, mais vulnerável ao bônus de entrada e à vaga com “propósito”. E menos capaz de enxergar que, talvez, você esteja prestes a cair na mesma armadilha — só que com logo diferente. Se estiver nessa fase, talvez valha a pena conversar, faço consultas individuais com profissionais que querem uma visão externa sobre propostas e movimentos. O executivo chega com a testosterona alta pra aceitar. Às vezes, tudo o que ele precisa é de uma conversa com mais Zoloft — pra olhar o tabuleiro de cima antes de entrar em uma roubada com crachá novo por uma graninha a mais. 


(o dado aqui mencionado é de um artigo de ontem no Valor, assinado por Rafael Souto).




 
 
 

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