Contratamos um executivo para transformar a empresa. Desde que ele não mude muita coisa.
A empresa percebe que precisa mudar, contrata consultoria, refaz o planejamento e busca alguém com experiência em transformação. O processo seletivo elogia a coragem.
Seis meses depois, a coragem virou falta de sensibilidade política. O executivo não entendeu a cultura, atropelou processos, não respeitou a história.
Começa a porta giratória. O primeiro questionava demais. O segundo era diplomático, mas entregava pouco. O terceiro não mobilizava as pessoas. O quarto parecia perfeito, até discordar do presidente.
Quase sempre a empresa procura alguém que faça o que o dono não faz, mas que seja parecido com ele. É pedir um submarino que voe.
Os executivos também têm sua culpa. Muitos aceitam pelo cargo e pela promessa de autonomia sem perguntar quem realmente manda aqui e quanta mudança essa pessoa está disposta a ver.
A porta, aliás, também gira para consultor. Com a vantagem de que o relatório sempre diz que a empresa precisa de coragem, e é exatamente por isso que ninguém nos convida de volta.



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