Dá para saber o estágio de uma empresa pelas perguntas que circulam nos seus corredores.
Nas empresas jovens, predominam o "por quê?" e o "o quê?". Há uma obsessão saudável em encontrar oportunidades, conquistar clientes e fazer as coisas acontecerem. nem sempre com muita organização, convenhamos.
Com o crescimento natural, surge o "como?". É preciso criar processos, desenhar controles e definir responsabilidades. Afinal, improvisar eternamente também não é estratégia de gestão.
O problema começa quando uma quarta pergunta passa a dominar as reuniões: "quem?".
Quem autorizou? Quem decidiu? Quem vai se responsabilizar se der errado? Quem deixou isso passar? Quem vai contar isso para o dono?
Nesse momento, a energia deixa de ser resolver o problema e passa a ser produzir justificativas. É a fase em que uma oportunidade comercial vira um impasse administrativo: o cliente quer comprar, a equipe quer vender, mas antes é preciso circular seis departamentos e conseguir a chancela de alguém que nunca conversou com um cliente na vida.
A ironia é que a maioria dessas amarras nasceu com a nobre intenção de "profissionalizar" o negócio. O remédio virou a própria doença. Governança e processos servem para dar clareza e tração às decisões, não para criar um labirinto onde ninguém assume risco nenhum.
Se a pergunta mais frequente na sua diretoria é "quem autorizou?", a organização pode estar envelhecendo precocemente. Mesmo que o presidente ainda apareça sorridente e moderninho na rede social celebrando a própria gestão.



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