• Gustavo Sette

Programas de formação de herdeiro: ajudam ou atrapalham?

Grandes bancos têm programas para formação de herdeiros e sucessores, a pedido dos donos de empresas. A maioria dos alunos tem de 25 a 30 anos.


Já conheci alguns desses programas no Brasil e no exterior. Em geral, são feitos com excelentes escolas, consultores famosos e em destinos de luxo.


Os ganhos na parte de formação são inegáveis, mas há um efeito colateral pouco comentado, que é a formação do indivíduo, do sucessor como pessoa, e não como um potencial recurso da empresa e da família.





Quem está na faixa de 25 anos vive uma luta profissional, em busca de uma identidade, um caminho e uma rota de crescimento. Entrevistas, muita competição, chefes e pares de todos os jeitos, o frio na barriga de virar gerente e ter que liderar pessoas, orçamentos, as dores de demitir e ser demitido, o prazer de promover e ser promovido... É um período de dores, dúvidas e muito crescimento.

Ofereça a um jovem que deveria passar por essa competição um programa superestrelado, com viagens na classe executiva para hotéis de luxo, ao lado de outros filhos de milionários, para ter palestras com acadêmicos de grandes universidades, em um ambiente que comunica sem parar que ele é muito especial. Quem vai achar ruim?

Fico em dúvida se os ganhos na parte de educação compensam os efeitos adversos que só cobrarão um preço lá na frente.

Talvez a formação mais valiosa para um sucessor de 25 anos seja justamente o oposto desses programas: um emprego tradicional, na condição de anônimo, de preferência longe de casa e da influência do sobrenome, para tornar-se alguém pelo próprio esforço e, futuramente, tomar as próprias decisões.

Estudar finanças, governança e planejamento é algo que pode ser feito em qualquer idade (há ótimos programas para donos mais maduros). Construir uma história própria, não.


Estado de S Paulo, 31/7/2022.

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